A travessia

Por: Sara Vilarim

Ouvindo – Leo Cavalcanti – Dentro.

E dia após dia, intensivamente Ela sentia que não pertencia mais àquele espaço, havia se expandido para pertencer ao mundo. Na mala, poucas lembranças, misturadas a suprimentos e ao desalento da despedida, que com um beijo e lágrimas, deu-se próximo ao embarque. Encontrava os olhares de sua mãe Amparo e de seu pai Consternação se distanciando cada vez mais ao seu.

Respirando medo e aspirando coragem, se foi.

Sem saber exatamente no que ia dar, até porque a menina nunca teve medo do novo, pelo contrário o novo sempre a instigou a prosseguir, seus olhos brilhavam toda vez que Ela o enxergava. Mal sabia nadar, velejar então, menos ainda, mas se instruíra e ali estava a bordo de seu pequeno veleiro de 26 pés chamado Victura, e com este almejava chegar ao seu destino, o outro lado do Oceano, mediante a muito empenho.

Ao se deparar com a vista maravilhosa, ludibriada suspirava.

Seus amigos eram o Mar e o Vento, junto deles, Ela aliviava todo o caos que outrora fazia morada em sua mente e assim esta seguia, feliz. Todavia, dias após, em um final de tarde, formou-se no horizonte uma imensa tempestade, e ali então, Ela se viu a mercê da benevolência dos amigos que a haviam acolhido, entretanto o Mar e o Vento demonstravam-se enfurecidos, sem nenhum motivo aparente, o que a fez perder o controle da embarcação, e então perceber que o conhecimento que carregava consigo, não era suficiente, dada a grandeza daquela circunstância.

Sentiu-se fraca e imatura, caiu.

O Mar por sua vez, transformara-se em Realidade, ah frígida Realidade, puxou as pernas da menina, nem deu a ela tempo de ver a vista.

Ao padecer, debatendo-se percebeu o quão grande era, e o universo incólume que carregava dentro de si. Dele extraiu força suficiente para retornar a superfície e se agarrar uma parte da proa de seu destroçado veleiro e ali permaneceu até ser levada pela maré a praia, que por sua sorte não estava tão distante e ali foi socorrida.

Desta experiência aprendeu que apesar das feridas recém-atribuídas, deveria imediatamente retomar as rédeas de si, ao invés de querer ir para outro lugar, teve certeza que a hora era aquela e ali e então passou a desbravar o mundo que estava o tempo todo dentro de si.

Olá, me chamo Sarah Vilarim, tenho 22 anos, sou Canceriana, Paulista, Pré-universitária e também a nova colunista do blog Menina Veneno sabor Tequila, espero que tenham gostado da estréia e que estejamos devidamente apresentadas.
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s