As coisas parecem estar meio trocadas, não?

A cada vez que um caso de estupro, abuso, qualquer crime relacionado à sexualidade vem à tona, sabemos que teremos uma enxurrada de pensamentos problemáticos.

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Tornamo-nos afogados por comentários e pensamentos que parecem comuns e até mesmo aceitáveis (o que não deveria ser): “Mas, ela não deveria usar calças assim”, “Também, estas meninas parece que procuram”.  Existem ainda os casos em que as pessoas acreditam que a denúncia seria inventada, pois “existiriam mulheres que querem ferrar com os homens” ou “fizeram sexo e se arrependeram”.
Quanto à última parte, parece que aqueles que têm este tipo de ideia acreditam que mulheres são seres enganadores e que fariam isso apenas para prejudicar os homens. Primeiro, é inaceitável que ainda usemos o mito de Eva para acreditar que tudo relacionado ao feminino é traiçoeiro, perigoso, maldoso (maniqueísta) e que qualquer mulher quer colocar uma culpa falsa por ciúmes, inveja, ou orgulho por ter sido abandonada. Lembrando que antes de investigação não dá para se cravar com tanta certeza a inocência do acusado e que há casos (em menor escala do que se acredita) em que realmente a declaração da vítima é falsa. Outro ponto a ser feito é que quando se imagina que a acusação é falsa, estamos pensando primeiro na suposta reputação do acusado e não necessariamente no sofrimento da vítima. Além do que, é bastante complicado que alguém passe por todos os exames e questionamentos vexatórios da nossa justiça apenas para colocar a pecha de estuprador em alguém.

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Já em relação a colocar a culpa ou dizer que houve facilitação, além da falta de respeito é também pôr mais uma vez a carga de um crime em cima de alguém que deveria ser protegida. Desde quando roupa, comportamento ou quantidade de drinks é incentivo a um crime assim? Temos de parar de acreditar que qualquer coisa sutil é um convite para algo e perceber que quando alguém diz não, significa realmente não (chega de acreditar que “ela disse não querendo dizer sim”). Precisamos parar de acreditar que a suposta “natureza masculina” é predatória e vai atacar qualquer pessoas, pensando assim, estamos transformando conhecidos e desconhecidos em “supostos estupradores”. Também precisamos pensar que aquela garota extrovertida, com roupas que você considera pequenas (decotadas, justas, ou seja lá o que for) não está necessariamente se colocando em uma vitrine para ser “consumida”, ela é uma pessoa.
É necessário que se coloque no lugar de quem deve ser realmente protegida, a vítima e não causar mais constrangimento e fazer a pessoa sofrer.

By: Taís Nascimento

Pessoa linda que leu: Você

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