O LEÃO E A GAZELA

 

Existe uma diferença abissal na tratativa do homem e da mulher, embora ambos sejam os únicos representantes da raça humana e igualmente responsáveis pela prosperidade da espécie.

Tal tratativa diferenciada não se vê em nenhum outro ser vivo.

O modo como se deu a socialização foi o primordial para essa diferenciação entre dos seres da mesma raça.

Enquanto ao homem foi dado tudo o que o sol tocava, todo o poder e glória, a mulher foi relegada a um papel de mera reprodutora e submissa ao homem. O homem dominou tudo, incluindo a mulher e tal situação perdurou até meados do século XX.

Quando a mulher começou a questionar tal posição em todas as esferas de suas relações, a situação era tão grave, que ainda hoje depois de décadas de lutas e uma plena consciência de igualdade entre mulher e homem, ainda nos deparamos com situações de dominação do homem.

A mulher primeiramente clamou por voz. Clamou pelo direito ao voto, o direito a vida.

A mulher clamou pelo direito ao trabalho e o direito a decidir quando ia ou não ter filhos; tal direito ainda não é 100% garantido.

A mulher lutou para poder estudar, poder ensinar e aprender.

Lutou para se profissionalizar, para ser doutora, para ser advogada.

A mulher também quis representar os cidadãos. E lutou para tal.

Mas a luta ainda é longa.

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Ainda julgam a capacidade intelectual da mulher pelos seus atributos físicos. Criminalizam seu direito de escolha pelo próprio corpo. Vendem o corpo da mulher como mercadoria. Usam seu corpo para vender mercadoria. A mulher é um mero corpo, ela é a mercadoria.

Usam atributos e características femininas como ofensa.

Se você é valente, você é macho. Se você é fraco, você é mulherzinha.

 

A mulher foi por tanto tempo tratada como acessório do homem, que muitos traços dessa objetificação ainda estão inseridos profundamente na cultura e nos modos de socialização.

Deram ao homem o direito de ser animal. E condenaram a mulher a ser sua presa natural.

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E esse comportamento animal/ presa é vendido pela cultura como algo normal. E infelizmente comprado por muitas mulheres.

Pois ele não é explícito. É algo cuidadosamente embutido em pequenas ações ditas inofensivas.

E como bons predadores, não deixam as presas em uma situação em que elas possam se proteger. Assim, criaram a ideia que mulher não tem empatia por outra mulher. Fazem as mulheres se sentirem indefesas se não tiverem um homem que as protejam. Fazem-nas se sentirem incapazes se não conquistam um macho. Fazem-nas se sentirem culpadas se os ditos machos as chutam para escanteio em busca de outra presa. Fazem-nas se sentirem felizes se os machos praticamente fazem xixi para demarcar território.

Vendem a ideia que tudo a respeito da mulher deve girar em torno de agradar um homem: compre esse batom, pois ele vai querer devorar sua boca. Passe esse perfume que ele vai ficar hipnotizado. Vista essa roupa para ficar irresistível. Tome esse drink, para ele olhar para você.

A mulher é a presa que fica passiva ante as investidas do macho.

Assim, ela aceita, submete suas vontades as vontades do outro. Afinal seu ideal de felicidade plena é ter um macho e uma prolezinha.

E que pena da mulher que não mantém o pai da sua prole do lado.

Com essa visão, muitas ainda justificam ações violentas por parte dos homens como algo normal, esperado. Principalmente os jovens.

As ações comportamentais da juventude são um reflexo da sociedade em que vivem e a cultura que consomem. Isso é um fato.

Não é do interesse do homem apoiar e fortalecer a luta da mulher por igualdade. O leão não quer tratar igualmente a gazela.

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Texto da linda da Eloh

Revisão: Taís Nascimento

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