Desmistificando a maternidade

Passada um pouco a polêmica sobre as mães que ao responderem o desafio da maternidade tentaram trazer realismo à tarefa de criar e educar um ser humano, a tarefa de discorrer sobre o tema torna-se um pouco menos inflamada.

A romantização da maternidade é um fenômeno novo, haja vista que essa construção da ideia do que é ser mãe, é puramente social e manipulada. Não afirmando que o amor que cada indivíduo sente por seu filho é imposto, mas a valorização dessa relação socialmente falando é construída.

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O papel de uma mãe foi modificado de acordo com o papel social que a mulher representava em cada momento histórico. Basta ter em mente que, por exemplo, durante o período escravagista, as mulheres brancas que possuíam escravas sequer alimentavam seus filhos. E isto não as tornava menos mães de suas crianças biologicamente falando. Maternidade é biologia. Esse valor que foi construído sobre a capacidade de ter um filho é puramente social, para poder restringir as mulheres ao espaço doméstico e garantir a sobrevivência das crianças.

Essa construção e adaptação se deram por todo o Séc. XIX, com o apoio dos médicos e do governo, que além de noções de higiene e cuidados com os menores, enfatizaram a importância e a naturalização do aleitamento feito pelas próprias mães. Para embasar tais noções, utilizaram-se do discurso do instinto e amor materno. Assim, as mulheres passaram a não só exercerem a maternidade – capacidade de gerar uma vida-, como também a maternagem – cuidados e dedicação para garantir o bem-estar de um indivíduo.

O problema começou, quando utilizaram das noções de maternagem para desvalorizar o papel de indivíduo da mulher ao supervalorizar o papel materno. Assim se formou essa ideia de que uma mulher só é um indivíduo pleno, a partir do momento em que ela concebe e cuida de uma vida. Com isso, uma mulher que não se vê sendo mãe por N razões é tida como uma mulher frustrada, uma mulher que ainda não é feliz, e por mais que ela diga que sua felicidade reside em outras esferas de sua vida, ainda assim ela não é ouvida.

Essa construção social teve importantíssimos aliados. O mais expressivo foi a mídia. Foram as construções de estereótipos femininos feitos por mídias escritas ou visuais, tais como revistas que ensinam à mulher a primeiramente “fisgar um homem”, para ter já metade de sua felicidade garantida (porque mulher solteira e sozinha é mulher infeliz) e depois ter filhos. O que mais se vê é a reprodução da frase: uma mulher só sabe o que é amor e felicidade ao segurar seu filho pela primeira vez nos braços.

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A mídia visual, como cinema e televisão também corroboram em criar esse perfil, ao sempre colocar a mulher como a mãe, a esposa, a namorada. Delegaram a mulher o reino do lar. Onde ela é uma rainha solitária, sempre a cuidar da família e a esperar seu consorte voltar.

O que as mulheres estão lutando é pelo direito de ser antes de mãe, antes de esposa, antes de coadjuvante em um mundo masculino, um indivíduo que não se anula, não se acaba simplesmente porque geraram outra vida. Os homens igualmente participam dessa criação de um individuo novo e isso não os anula em absoluto.

Ninguém fala para os homens que eles só serão felizes se arrumarem uma parceira e segurar seu filho nos braços pela primeira vez. Aos homens é dado o direito de serem indivíduos que se bastam. Agora falta enxergarem a mulher como tal. Elas podem ser o que quiserem, desde que as deixem ser elas mesmas em primeiro lugar.

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By: Eloh

Revisão: Taís Nascimento

Pessoa linda que vai ler e pensar no que a gente falou ;P : Você!

 

 

 

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