O prazer na humilhação

Eu vi pela primeira vez o termo facial abuse no fim de semana passado, em um documentário sobre adolescentes na indústria pornô amadora e fiquei chocada com a naturalidade e a abrangência de tal ato.

Durante o documentário, fui analisando o discurso das garotas, em sua maioria entre 18 e 20 anos, sobre a motivação a fazer pornô e como se percebiam nessa situação.

Algumas falavam que era tranquilo, pois os rapazes eram “um amor”, muito educados e cuidadosos, sem contar na facilidade do dinheiro, sempre seguindo essa lógica. Eu não quero discutir aqui o que leva uma mulher a fazer pornô. Honestamente, cada um sabe da sua motivação. A minha discussão é sobre como esse pornô é feito, o que veicula, e o que motiva a demanda pelo tipo de filme que é veiculado.

Todo mundo já viu um vídeo pornô, um filme, ou dez ou cem. Não sejamos hipócritas. A curiosidade faz a gente às vezes violentar os olhos. Enfim…E é fato que esses filmes são 99,9% voltados para o deleite masculino. A indústria da pornografia é totalmente voltada para o prazer do homem. Até mesmo quando são coisas do uso da mulher, visa-se o prazer do homem. A mulher veste fantasia para o cara, se amarra para o cara, etc etc para o cara. Com os filmes e vídeos não é diferente.

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E o que sempre me incomodou nos filmes pornôs é como a mulher está lá só para dar prazer o cara. O corpo dela é exposto à exaustão. Abrem-se todos os seus orifícios, mostram, colocam ela em posições patéticas, ninguém transa daquele jeito.

E ela sempre com uma carinha de besta, como se realmente fosse tudo de melhor no mundo um cara dando tapa em sua cara e simplesmente fazendo a britadeira até que ele goze. Sempre ele goza. A finalidade é sempre o gozo do cara. Ela grita, estimula, se desdobra e contorce, para o cara gozar. Dão um banho de porra nela, e c´est fini.

Esse no caso é aquele tipo de filme que já começa com a transa. Tem aquele que tenta introduzir uma historinha. E com o perdão da palavra, é aí que a porra fica séria. Na massiva maioria das vezes, as historinhas começam com um cara do nada, um entregador, um policial, um qualquer coisa que chega e já pega a mulher sem sim nem não, e começa o ato.

Nesses filminhos que os homens consomem desde a tenra idade, mostram um cara aleatório pegando uma mulher na maioria das vezes sem o sim.

Pra gozar na cara dela, pra dar tapa e a mandar quicar feito puta. Depois esse monte de mulher real se pergunta por que os namorados transam feito coelho e param quando gozam.

Mulher de filme pornô é maioria adolescente de 18 a 20 anos, com cara de 12. Aí fazem aqueles filmes em que o cara mais velho, cara de 50 anos, chega, fazendo o tiozão da família e “inicia” a garota no sexo, na maioria das vezes sem o consentimento.

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Traci Lords, que era realmente menor de idade quando fez seu primeiro filme pornô.

Nessa era digital, a moda é os vídeos de pornô amador. E a maioria é com as “novinhas”. E então chegamos ao facial abuse. Filme pornô é o responsável por muito do comportamento leviano dos homens. E ainda por cima incita pedofilia, abuso, violência. Como os homens, todos eles podem sentir prazer em um cara batendo em uma mulher, a fazendo vomitar em uma vasilhinha de cachorro, engasgando e quase matando ela com o pênis, literalmente e escancaradamente estuprando ela? Onde isso é prazeroso, gostoso, lindo?

A indústria pornô, obviamente criada pelos homens, vem desde sempre estimulando a objetificação da mulher, criando um padrão irreal do que é uma mulher sexy, desejável. Os homens dos filmes pornôs são uns caras barrigudinhos, carecas, alto, baixo, gordo, magro, peludo, pelado, verde, azul, amarelo, tanto faz. Pois o astro é o pênis.

Já a mulher, é uma barbie, que é escolhida de acordo com o perfil. Tem as novinhas, adolescentes que tem tipo físico de uma pré-púbere, as MILF (mulheres com corpos maravilhosos, com cara de mulher), as fetichizadas, mas sempre com corpos atendendo o padrão social de uma “gostosa”. Porque ela está lá pra subir o pau. Somente. Ela é um cu e uma boceta, que tem que gritar o tempo todo estimulando o gozo do macho.

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A famosa MILF (Mom I´d Like to Fuck). Sim,  a sigla é  isso mesmo que você leu.

Como os homens podem bater no peito e falar que são feministas e batem punheta para um vídeo onde um cara transa e espanca a cara de uma mulher com corpo de 12 anos?

As garotas do citado documentário, em dado momento,  começam a questionar a lógica da indústria pornográfica. E o fato de homens quererem ver mulheres sendo estupradas.

Pornografia também estupra. Não importa se é de mentirinha para os atores. Eles estão vendendo violência.

By: Eloh

Revisão: Taís Nascimento

Pessoa que leu: Você

 

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2 comentários sobre “O prazer na humilhação

  1. Perfeito o texto. Há tempos venho me perguntando como as mulheres se tornaram tão “coisas” nas mãos de homens. A puxadinha nos cabelos se tornou um ato cruel quase arrancando o couro cabeludo junto. As palavras vagabundas, vadias e putas são muito mais ouvidas do que um gemido de prazer ou uma declaração de eu te amo, você é a mulher da minha vida, durante o ato sexual. Cada vez mais os chamados MC”s normalmente com seus 12, 13, 14 e 15 anos já sabem que pra fazer “sucessos ” tem que chamar a mulher de cachorra, atribuindo assim o desmerecimento e a degradação da mulher na sociedade.
    Parabéns pelo texto.

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