Bela, recatada e do lar

Pipocaram milhões de coisas sobre a matéria da Veja com a mulher do Vice-Presidente (até o momento em que escrevo), Michel Temer, Marcela Temer.

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A matéria parte de diversos pressupostos para chegar ao ideal do princípio de que isso seria um exemplo a ser seguido e parece muito com algum manual de boa esposa, diretamente do século passado. Coisas como o tamanho do vestido que ela usa, que o seu  marido foi ou não seu primeiro namorado (ela se casou com ele quando tinha 19 e ele 62), como ela cuida da casa… E no caso, recatada, geralmente designa como a mulher era discreta, ou mais ou menos dizendo que ela não tenha voz, não se envolva, seja mais ou menos como objeto decorativo. Porém, sabemos que no dicionário, recatada não é bem isso, significaria alguém tímida, mas com o passar do tempo e as mudanças da língua através da sociedade, isso mudou.

A questão é:  Marcela está de alguma forma em seguir esse caminho? Claro que não, se foi ela quem decidiu. É importante lembrar que algumas mulheres, não tem como decidir ou não se vão fazer isso, seja por algum relacionamento abusivo, seja pela questão de que ainda hoje, nenhum outro caminho foi apontado para que ela, já que ainda temos gente que se pauta nesse tipo de argumento para falar sobre alguma mulher e exaltá-la por suas “prendas domésticas”.

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A coisa toda é, será que precisamos mesmo de uma revista fazendo um perfil dessa forma? Sabendo que além de notícias, esse tipo de imprensa tem uma grande influência na maneira em que as pessoas veem os acontecimentos. A forma com que foi escrita, parece algo tirado de 1950, ou antes. Cabe lembrar que colocaram esse rótulo nela, em algum momento há alguma afirmação concreta de Marcela sobre isso. Lembra algo de que já dizemos aqui, em que as mulheres são rotuladas sempre pela sociedade, pelo que fazem ou deixam de fazer, por suas escolhas etc.

Quando as pessoas começaram a debater sobre a matéria, seja em tom de piada ou não, quem achou que não tinha nada demais, começaram a pipocar pessoas dizendo que quem estava discutindo ou problematizando, tinha algum problema com a Marcela, ou com as escolhas dela. Nada disso! Temos contra a rotulação, seja dela ou seja de qualquer mulher e dessa imposição vinda de fora, de que há algum modelo a ser seguido, algo que devemos ser para garantir a aprovação de uma sociedade que praticamente não vê mulheres como cidadãs, apenas como bibelôs domésticos.

Muitas dessas reações contrárias ao debate vêm também de um desejo de dizer que tudo que afeta a mulher é “frescura”, ou que tudo é exagero, ou estamos reagindo de forma desproporcional. Além disso, vem de uma vontade imensa de colocar mulheres contra mulheres, dizendo que odiamos umas às outras.  Como já disse antes não temos que falar mal da escolha dela, mas pensar sobre e rejeitar qualquer rótulo que nos é colocado.

Você pode ser “Bela, recatada e do lar”, “Bela, desbocada, tatuada e do bar”, se não quiser ser bela também é uma escolha sua, ninguém tem que pautar suas escolhas.

By: Taís Nascimento

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