Uma jornada sensacional de glitter

“Gentlemen start your engines and may the best woman wins!” (Traduzindo: Cavalheiros liguem suas máquinas e que a melhor mulher vença)

Você ouviu essa frase, ou não?

De qualquer forma você deve ter ouvido falar sobre RuPaul´s Drag Race, que não necessariamente são Drag Queens correndo em algum lugar, por favor! Mas não deixa de ser uma corrida.

RuPaul

Na verdade, é uma competição, em que Drag Queens competem para ser a Next Drag Superstar e ganhar dinheiro e prêmios dos patrocinadores, é claro.

Mas vamos começar, Drag vem do teatro antigo como “Dressed As a Girl” e já que mulheres não podiam fazer parte, os homens se vestiam e atuavam como mulheres. Durante um tempo, veio como uma forma de exagerar de forma cômica, ou não, a figura feminina.

Algumas pessoas veem como uma forma de ridicularizar o que vem do mundo tido como feminino, outras, como forma de homenagem. Também se pode dizer que é uma maneira de desafiar os papéis de gênero, já que temos um homem cisgênero (pessoa que se reconhece como pertencente ao gênero que lhe foi compulsoriamente designado ao nascer), atuando de forma mais feminina do que lhe é considerado obrigatório pela sociedade.

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A incrível Aretha Sadick (drag brasileira!)

A arte drag, considerada assim, já veio muito antes do programa que serviu de ideia para que discutíssemos estas coisas, nos Estados Unidos está muito ligada à Rebelião de Stonewall, que aconteceu em 1969 e pedia por mais direitos para a população LGBT* nos EUA.

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Marsha P. Johnson, também considerada trans participou das revoltas de Stonewall

No Brasil, também estão na linha de frente para afrontar os preconceituosos e há muito tempo, eram confundidas com as transformistas, que serão papo para outra conversa. Muitas vezes, são usadas como piada em programas sensacionalistas (como é o caso de um muito famoso que passa no SBT e tratam as queens como atração de um freak show).

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Divine, que mostrava que a arte também podia ser freak

Vamos tentar explicar algumas coisas, qualquer um pode ser Drag Queens, seja lá com que gênero você se identifica, ou se você se identifica com todos ou nenhum (se ficou confuso, dá uma olhada nesse texto linkado aqui). Não precisa mais ser sempre tentando ser o mais próximo possível de uma mulher. Se um homem tem como personagem uma mulher, por exemplo, não significa que ele se identifique como mulher, isso é só o personagem dele.

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Medusa Pandemonium e Millka, drag queens mulheres e lindas!

Explicado todo o contexto, voltemos ao programa. Não espere ativismo totalmente desconstruído (há estereótipos, piadas ofensivas, por exemplo), mas ainda assim, veja como um ponto onde esta arte bem marginalizada e mal compreendida, pode ser mostrada de uma forma leve. Na verdade, o programa está ensinando a várias pessoas que assim como existem várias formas de arte, também existe esta, que pode ser interpretada de várias formas, de acordo com a estética, ou para que área a drag é voltada (temos drags que atuam, cantam, góticas, burlescas etc.).

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Violet Chachkim drag que flerta com o burlesco, sadomasoquismo e é tatuada também, como se pode ver.

Desta forma, o programa acabou trazendo com as competições e o humor, uma maneira de mostrar artistas incríveis a pessoas que não conheciam muita coisa do meio em que estão inseridos ou nem tinham ideia de que “se montar”  poderia ser algo tão empoderador para algumas pessoas e que seria uma forma de se expressar.

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Márcia Pantera, porque nossas drags também são incríveis

Além do aumento no número dos telespectadores (sendo praticamente assistido por gente diferente, J), vimos também um aumento das queens! Seja nos Estados Unidos, seja no Brasil, ou qualquer outro lugar em que o programa chegue, parece que muita gente se sentiu livre para se experimentar nessa arte. É possível ver que não só as rainhas que passaram pelo programa estão sendo vistas, muitas outras que nem chegaram perto, ou que não querem sequer participar ganharam ainda mais visibilidade.

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Latrice Royale

Depois de toda essa viagem pelo mundo maravilhoso das drags, que tal assistir um pouquinho da Corrida da Mama Ru, conhecer e se divertir com elas?

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Mama Ru e suas campeãs

Good luck, and don´t fuck it up! (Boa sorte, e não f*** com tudo).

By Taís Nascimento (Tata), com a grande ajuda do Danilo Camargo (que me trouxe pra esse mundo e pe melhor pessoa!)

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