Memento mori

Vocês sabem o que é Memento mori? É uma expressão latina que pode significar “Lembre-se de que vai morrer”. Hoje o assunto por aqui é pesado, mas vamos tentar desconstruir algo difícil: a nossa própria morte.

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Sabemos que a nossa vida tem final, tem prazo de validade, só não sabemos quando ocorre, a partir disso, passamos evitando a palavra morte, a simples menção de corpos, caixões, cemitérios, ou tratamos com algo bizarro, mórbido, diferentão. Eu não condeno quem trata assim, mas precisamos falar sobre a questão de que todos nós passaremos por isso. Na Inglaterra Vitoriana, as pessoas tinham toda uma moda, etiqueta e fotos voltadas pra isso (caso um dia queiram, eu juro que falo sobre fotos post mortem).

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Apesar de ser um interesse diferente na nossa sociedade, é algo comum, natural e que faz parte do ciclo da vida. Nós não precisamos ficar cultuando a morte em um altar (mas se você quiser também pode), mas a gente parece que está transformando a morte em uma coisa tão distante e tão abstrata que quase não vemos mais quem amamos. Precisamos falar sobre, sem afastar pessoas que poderiam entender o assunto.

Continua parecendo estranho, mas velar quem se foi faz parte de um processo para que a gente entenda o que aconteceu e talvez se sinta um pouco menos mal. Antes velávamos nossos parentes e entes queridos em casa, hoje, velamos em lugares especiais, já vi até mesmo propostas de velórios “drive-thru” (onde se vela bem de longe). Será que a frieza com que temos encarado vários aspectos de nossa vida e essa mania de querermos nos anestesiar, tem afetado também como lidamos com isso?

Temos tanta necessidade de controlar tudo, que a morte nos parece horrível porque não podemos controla-la e nem controlar o que acontece após dela (não estou falando no sentido religioso, porque aí, vai de cada um, né?)

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De onde eu tirei toda essa conversa que pode estar te assustando (não era a minha intenção, era somente abrir um debate sobre isso)? Do trabalho de uma moça dos Estados Unidos, a Caitlin Doughty, uma diretora de casa funerária que trabalha com isso há muito tempo. Ela começou a ver isso e como as pessoas se sentiam tão sem chão e criou “The Order of the Good Death” (A Ordem da Boa Morte), com várias pessoas que querem desmitificar essa ideia de coisa ruim e horrenda. Ela tem um site sobre o movimento “Death Positive” (uma forma de dizer morte positiva), um canal sobre o processo que envolvendo tudo, fatos históricos e fala sobre tudo de uma forma tão leve que se acaba interessado sobre o assunto (assista aquie vai lançar o livro dela no Brasil também: “Confissões do Crematório”, que vai sair pela Darkside Books.

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Caso você você leia em inglês, você pode saber mais sobre o movimento aqui neste link: Order of The Good Death. Uma das frases mais legais é: “Acredito que a cultura de silêncio sobre a morte deve ser quebrada através de discussões, reuniões, artes e estudos.”

E você? Tem medo? Tem gente que tem tatuagem sobre, que escreve o que sente, que foge.

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Sabe o que é muito importante falarmos sobre esses assuntos “complicados”? É saber que como tudo acaba, temos que viver o hoje, nos libertar de amarras e raivas passadas e aproveitar para sermos honestos conosco enquanto estamos aqui.

By: Taís Nascimento

 

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