Como lidar? – Assédio

Acompanhamos muito de longe o caso de Michelle Ferreira Ventur, diarista do Rio de Janeiro que foi espancada ao ir reclamar do assédio que sofria todos os dias. Digo o que podemos ver: as notas lamentando ou notícias de sua morte.

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Sabemos o que aconteceu, já que as notícias dão conta de que cansada de sofrer assédio, ela resolveu tirar satisfações com Leonardo Bretas Vieira Mendes, que a espancou com golpes na cabeça o que causou sua morte, após quatro meses de internação.

Isso nos traz um monte de pensamentos, primeiro de que esta moça virou estatística, sempre relatada como “a diarista que reagiu ao assédio”, ou “a mulher que foi espancada”, como já acontece como várias vítimas de violência diária. Chamá-la de espancada, assim como aconteceu em alguns jornais de grande circulação, reduz ainda mais quem é essa mulher. É também ver como o machismo mata, já que esse homem não deve ser tratado como doente ou visto como um animal e sim, como alguém com consciência de seus atos.

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As pessoas tentam minimizar assédios chamando de cantada, mão boba, mas  sabemos o quanto incomoda e o quanto sentimos medo, irritação ou ansiosas quando ouvimos certas coisas na rua. É possível que possa não incomodar algumas, mas nunca sabemos o que há por trás do “Gostosa” ou outras coisas que ouvimos. Mostrando que muitos pensam que a partir do momento em que estamos na rua, somos públicas e devemos ouvir estas coisas, já que nossos corpos não nos pertenceriam. Outros, acham que esse tipo de coisa é um elogio e deveríamos agradecer. Será mesmo? Será que é preciso mesmo que sejamos avaliadas assim?

Outra questão muito importante é reagir,  muitas vezes queremos gritar, xingar e nem sempre é possível. Porque não sabemos quem é o outro. Mesmo que andemos armadas, ainda há esta chance de que possamos ser feridas ou mortas. Então, pode ser perigoso incentivar uma reação muito violenta, ainda que não possamos mais aguentar caladas (como medir nossa reação? Não dá pra saber). Talvez, isso explique porque tantas mulheres se calam em situação de violência, somos tão tratadas como coisas que alguns acham que tem poder de vida e morte sobre nós.

Acabar com o assédio tem de vir da noção de que não é um elogio, é invasivo. Desde pequenos, alguns pais ensinam que podem passar a mão nas coleguinhas, ou assoviar para elas, a partir daí cria-se uma ideia de que é normal. Precisamos focar no agressor e em educação para diminuirmos, um dia, esta ideia de que é aceitável assediar mulheres.

*Informações: G1 , Estado de São Paulo e Revista Fórum

By: Taís Nascimento

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