Mulheres no esporte: Pequeno panorama

As Olimpíadas estão quase acabando, muita gente acompanhou torceu, ficou triste com as derrotas , se decepcionou com alguns ganhadores (estou falando de você Arthur Nory e de você também Ryan Lochte).

Com toda essa leva de esportes que nem sempre vemos, alguns emocionantes, outros super diferentes, acompanhamos a cobertura da grande mídia, já que queremos ver as competições, quando vão passar, saber sobre os atletas, qual esporte vamos acompanhar mais de perto e acabamos ganhando algumas paixões (por exemplo: gosto de futebol, mas com as Olimpíadas acabei conhecendo ginástica artística e rítmica, atletismo, nado sincronizado). Ao ver a cobertura, passamos a perceber também o tratamento dado ao esportes quando são praticados por mulheres.

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Nesse vídeo linkado, feito pelo pessoal do projeto “Gênero e Número“, pode-se entender mais sobre como acontece a representação das mulheres na mídia.

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Serena Williams é, por vezes, criticada por não corresponder ao estereótipo de feminilidade esperado. 

É fácil ver como isso acontece: Quantas atletas são mostradas como a “namorada de fulano”, “irmã de ciclano”, “filha de beltrano”, como se ela fosse apenas alguém válido e digna de ser notada se estiver atrelada a alguém e esse alguém, necessariamente precisa  ser homem.

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Assim foi tratada Emilia Pikkarainen, nadadora

Também não podemos esquecer do título de musa: a “musa do futebol” , “musa da natação”. É comum que tratem atletas, que estão como propósito de representar seu país, ou o time em que jogam, como se estivessem em um concurso de beleza, ou apenas como bibelôs para enfeite, já que o “real esporte”, para esses seria apenas o praticado pelos homens. Vale lembrar que as mulheres que não se encaixam nesse padrão são ridicularizadas ou tratadas de forma diferente, por não caber no esperado. É importante lembrar que isso não acontece só no esporte, só está mais visível.

Outro ponto é a cobrança por maternidade, filhos, casamento, como se fosse obrigação da mulher passar por isso, a sua vocação, e não o esporte, que seria uma distração enquanto ela não atinge o esperado pela sociedade retrógrada. Pegue algum evento e veja quantas reportagens são feitas perguntando às atletas: “O que o seu marido acha?” “Com quem estão seus filhos?” .  Outro ponto tratado como obrigação é a manutenção de estereótipos relacionados à estética e que são sempre lembrados: “Olha elas passam batom antes do jogo!” ou “Elas fazem chapinha antes do jogo”, como se isso fosse realmente relevante no contexto.

Não é só a mídia que trata mulheres de forma desigual, torcedores também! A cada derrota em esportes praticados por mulheres, ainda temos uma enxurrada de comentários como: “tinha que ser mulher”, “Nossa, nem pra isso servem”, que podem ser encaixados na misoginia já existente. Também em relação à torcida, competições femininas são tratadas como chatas ou pouco atrativas pela maioria daqueles que acompanham, fazendo com que o público e renda sejam menores e mesmo assim, muitos nem sequer param para assistir ou conhecer.

Além disso, as próprias federações fazem questão de insistir na diferença, pagamentos e premiações dados às mulheres são ainda inferiores, além da estrutura oferecida. Um grande exemplo é o futebol, tratado como paixão, quando praticado por homens e totalmente esquecido quando praticado por mulheres, que sequer têm carteiras assinadas. Buzzfeed e Gênero e Mídia fizeram levantamentos sobre essas disparidades.

Como podemos mudar esse quadro? Cobrando posturas melhores dos veículos de mídia, sejam eles grandes ou pequenos. Acompanhando algumas iniciativas, como as “Dibradoras“. Algo importante também é cobrar das federações dos esportes que gostamos um tratamento melhor a elas, mas não podemos esquecer da nossa parte, que é prestigiar e ver de perto, indo a estádios e ginásios, inclusive.

By: Taís Nascimento

Pessoa que leu e vai pensar nisso: Você

 

 

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