Não, não evoluímos

Depois da pesquisa polêmica do IPEA, de 2014 onde muita gente dizia que certos comportamentos femininos justificavam estupro. Muita gente achou que a pesquisa estava errada, muita gente discutiu como a sociedade brasileira ainda trata as mulheres como objetos ou ainda, como provocadoras de homens.

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Dois anos depois, quando muito da discussão parecia ter acabado, o Fórum Brasileiro de Segurança Púbica (FBSP), encomendou ao DataFolha uma pesquisa bastante parecida e que mede muito da culpabilização da vítima (algo de que nos já tínhamos falado, neste link).

E o que pudemos ver: Um terço da população brasileira (30%) concorda que mulheres com roupas “provocativas” (seja lá o que isso significa)  não pode reclamar se for estuprada. Sim, isso mesmo que você leu. É absurdo, mas ao mesmo tempo, lendo a porcentagem, você deve ter achado que não era muita gente assim. Deixa eu contar uma coisinha: é!

estuprorural-1Enquanto tivermos pessoas que acreditam nessa máxima, não adianta nem defender penas para os criminosos, já que muitos crimes não irão nem chegar ao conhecimento das autoridades (fora que as próprias, por muitas vezes fazem com que as vítimas não consigam nem reportar o crime, ou as humilhações sofridas, vide o caso da moça estuprada por 33 homens no Rio de Janeiro, onde o delegado fez comentários absurdos sobre o caso).

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Seria necessário educarmos as pessoas que não podemos a todo momento empurrar às pessoas que já estão fragilizadas, culpas vindas de anos de uma sociedade que basicamente odeia mulheres que não seguem modelos de comportamentos feitos para que não haja autonomia. Ainda que essas ideias venham disfarçadas de “é para o seu próprio bem”. É necessário explicar que o corpo feminino não é público e nem está em exposição para olhares masculinos. Também temos de ensinar aos meninos desde pequenos que eles não devem acreditar que podem assediar, ou que mulheres não são propriedades.

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Imaginem quantas mulheres sofreram sozinhas ou pressionadas até mesmo por familiares por conta de uma cultura que empurra a culpa a elas, que deixam de denunciar seus agressores? De que adiantaria termos as melhores leis, se ainda silenciamos pessoas que passam por traumas como esses e as tratamos basicamente como criminosas?

By: Taís Nascimento

Pessoa que leu: Você

 

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