Antes de você, outros foram chamados “rebeldes sem causa” 7 manifestações que tomaram as ruas do Brasil

O Brasil está nas ruas. Nas últimas semanas, em diversos cantos do país, manifestações que tiveram início como uma reivindicação de melhores condições de mobilidade urbana se tornaram também um grito pela liberdade e por um Brasil melhor. Nesta segunda-feira, novas ações articuladas na internet aconteceram em pelo menos 11 cidades do país.

Pode parecer uma surpresa para quem se acostumou a considerar esta a era do “ativismo de sofá”, mas ao longo da história, os brasileiros já saíram muitas vezes às ruas para protestar, reivindicar e se fazer ouvir. Relembre outras 7 manifestações que tomaram as ruas do Brasil:

1. Revolta do Vintém

Ano: 1878 e 1879

O problema nunca foi apenas os 20 centavos. O famoso vintém, denominação para a antiga moeda de 20 réis, também já gerou protestos no Brasil. Uma delas ocorreu entre 28 de dezembro de 1879 e 4 de janeiro de 1880, no Rio de Janeiro. O motivo? A cobrança de 20 réis nas passagens dos bondes. A revolta provocou conflitos entre a população e as forças armadas, o que terminou com números trágicos de mortos e feridos. No final, a pressão popular venceu e as autoridades e companhias de bonde anularam o reajuste.

2. Revolta da Vacina

Ano: 1904

No início do século 20, o Rio de Janeiro ainda não era a Cidade Maravilhosa. As condições sanitárias e intensas epidemias impediam a chegada de investimentos, maquinaria e mão-de-obra estrangeira. Para tentar conter a situação, o então presidente da República Rodrigues Alves nomeia Oswaldo Cruz como chefe da Diretoria de Saúde Pública. “Dêem-me liberdade de ação e eu exterminarei a febre amarela dentro de três anos”, teria dito o sanitarista. O prometido foi cumprido, mas não sem antes desencadear uma revolta na população. A arbitrariedade das ações, com invasões de lares, interdições forçadas e despejos, levou às ruas mais de 3 mil pessoas. O saldo final da revolta que tomou a cidade entre os dias 10 e 18 de novembro foi de 30 mortos, 110 feridos, cerca de 1.000 detidos e centenas de deportados.

3. Greve da meia-passagem

Ano: 1979

Três aumentos nas passagens em apenas um ano. Em 1979, os estudantes de São Luís (Maranhão) foram para as ruas pedir o meio passe estudantil. No dia 17 de setembro, mais de 15 mil pessoas se reuniram na Praça Deodoro. Taxados de “marginais” e de “subversivos”, estudantes encontraram forte repressão da polícia. Pelo menos 50 pessoas foram admitidas em hospitais públicos, 300 pessoas foram presas e mais de 1000 detidas. Mas a manifestação colheu frutos: em 1º de outubro a lei da meia passagem foi sancionada.

4. Diretas Já

Ano: 1984

As primeiras manifestações aconteceram em Abreu de Lima, município de Pernambuco, em 1983. Mas foi em 1984 que o povo tomou as ruas para pedir a volta das eleições diretas, abolidas com o Golpe Militar em 1964. O primeiro recorde foiem Belo Horizonte: no dia 24 de fevereiro, mais de 400 mil se reuniram na Avenida Afonso Pena. Depois, foi a vez do Rio de Janeiro: mais de 1 milhão de pessoas se reuniram na Candelária no dia 10 de abril. Em São Paulo, o número de manifestantes ultrapassou a marca de 1,5 milhões no dia 16, no Vale de Anhangabaú.

5. Impeachment de Collor

Ano: 1992

Com tinta amarela e verde no rosto, os cara-pintadas foram às ruas em 1992 pedir o impeachment do então presidente do Brasil Fernando Collor de Melo, envolvido em denúncias de corrupção. Na manhã do dia 25 de agosto, cerca de 400 mil jovens se reuniram no Vale do Anhangabaú, em São Paulo. Em Recife, outros 100 mil se reuniam; em Salvador, tomaram as ruas 80 mil pessoas. No dia 18 de setembro, outros 750 mil se reuniram nas ruas de São Paulo. Collor renunciou de seu cargo em 29 de dezembro de 1992.

6. Marcha dos 100 mil

Ano: 1999

Em 26 de agosto de 1999, cerca de 100 mil pessoas se reuniram na Esplanada dos Ministérios para protestar contra o governo de Fernando Henrique Cardoso. Com apoio de sindicatos e partidos de oposição, os manifestantes de Brasília e outros estados brasileiros pediam a abertura de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) para investigação da corrupção do governo federal.

7. Revolta da Catraca

Anos: 2004 e 2005

Em 22 de junho de 2004, o Conselho Municipal de Transportes de Florianópolis aprovou o aumento em 15,6% da tarifa do precário transporte público da cidade. Foi a gota d’água de uma insatisfação que começara ainda em 1996, quando a prefeitura apresentou o projeto de implementação do Sistema Integrado de Transportes (SIT). O serviço foi oferecido à iniciativa privada, com financiamento superior a 8 milhões. Concluído em 2003, foi alvo de críticas: percursos ficaram mais demorados, baldeações desnecessárias foram implementadas. Entre os dias 28 de junho e 8 de julho, o povo foi às ruas em manifestações marcadas pelo fechamento de pontes que ligam a ilha à parte continental da cidade, impedindo o trânsito na principal via de acesso aos bairros e municípios da grande Florianópolis. Em 2005, um novo aumento desencadeou novas manifestações, mais duramente repreendidas pela polícia.

 

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Todo esse barulho por conta de R$ 0,20!? Entenda por que dos protestos.

Para entender melhor o que está acontecendo na rua, imagine que você é o presidente de um um país fictício. Aí você acorda um dia e resolve construir um estádio. Uma “arena”.

O dinheiro que o seu país fictício tem na mão não dá conta da obra. Mas tudo bem. Você é o rei aqui. É só mandar imprimir uns 600 milhões de dinheiros que a arena sai.

Esses dinheiros vão para bancar os blocos de concreto e o salário dos pedreiros. Eles recebem o dinheiro novo e começam a construção. Mas também começam a gastar a grana que estão recebendo. E isso é bom: se os caras vão comprar vinho, a demanda pela bebida aumenta e os vinicultores do seu país ganham uma motivação para produzir mais bebida. Com eles plantando mais e fazendo mais vinho o PIB da sua nação fictícia cresce. Imprimir dinheiro para construir estádio às vezes pode ser uma boa mesmo.

Mas e se houver mais dinheiro no mercado do que a capacidade de os vinicultores produzirem mais vinho? Eles vão leiloar as garrafas. Não num leilão propriamente dito, mas aumentando o preço. O valor de uma garrafa de vinho não é o que ela custou para ser produzida, mas o máximo que as pessoas estão dispostas a pagar por ela. E se muita gente estiver com muito dinheiro na mão, essa disposição para gastar mais vai existir.

Agora que o preço do vinho aumentou e os vinicultores estão ganhando o dobro, o que acontece? Vamos dizer que um desses vinicultores resolve aproveitar o momento bom nos negócios e vai construir uma casa nova, lindona. E sai para comprar o material de construção.

Só tem uma coisa. Não foi só o vinicultor que ganhou mais dinheiro no seu país fictício. Foi todo mundo envolvido na construção do estádio e todo mundo que vendeu coisas para eles. Tem bastante gente na jogada com os bolsos mais cheios. E algumas dessas pessoas podem ter a idéia de ampliar as casas delas também. Natural.

Então as empresas de material de construção vão receber mais pedidos do que podem dar conta. Com vários clientes novos e sem ter como aumentar a produção do dia para a noite, o cara do material de construção vai fazer o que? Vai botar o preço lá em cima, porque não é besta.

Mas espera um pouco. Você não tinha mandado imprimir 600 milhões de dinheiros para fazer um estádio? Mas e agora, que ainda não fizeram nem metade das arquibancadas e o material de construção já ficou mais caro? Lembre-se que o concreto subiu justamente por causa do dinheiro novo que você mandou fazer.

Mas, caramba, você tem que terminar a arena. A Copa das Confederações Fictícias está logo ali… Então você dá a ordem: “Manda imprimir mais 1 bilhão e termina logo essa joça”. Nisso, os fabricantes de material e os funcionários deles saem para comprar vinho… E a remarcação de preços começa de novo. Para quem vende o material de construção, tudo continua basicamente na mesma. O vinho ficou mais caro, mas eles estão recebendo mais dinheiro direto da sua mão.

Mas para outros habitantes do seu país fictício a situação complicou. É o caso dos operários que estão levantado o estádio. O salário deles continua na mesma, mas agora eles têm de trabalhar mais horas para comprar a mesma quantidade de vinho.

O que você fez, na prática, foi roubar os peões. Ao imprimir mais moeda, você diminuiu o poder de compra dos caras. Inflação é um jeito de o governo bater as carteiras dos governados.

Foi mais ou menos o que aconteceu no mundo real. Primeiro, deixaram as impressoras de dinheiro ligadas no máximo. Só para dar uma ideia: em junho de 2010, havia R$ 124 bilhões em cédulas girando no país. Agora, são R$ 171 bilhões. Quase 40% a mais. Essa torrente de dinheiro teve vários destinatários. Um deles foram os deputados, que aumentaram o próprio salário de R$ 16.500 para de R$ 26.700 em 2010, criando um efeito cascata que estufou os contracheques de TODOS os políticos do país, já que o salário dos deputados federais baliza os dos estaduais e dos vereadores. Parece banal. E até é. Menos irrelevante, porém, foi outro recebedor dos reais novos que não paravam de sair das impressoras: o BNDES, que irrigou nossa economia com R$ 600 bilhões nos últimos 4 anos. Parte desse dinheiro se transformou em bônus de executivo. Os executivos saíram para comprar vinho… Inflação. Em palavras mais precisas, o poder de compra da maioria começou a diminuir. Foi como se algumas notas tivessem se desmaterializado das carteiras deles.

Algumas dessas carteiras, na verdade, sempre acabam mais ou menos protegidas. Quem pode mais tem mais acesso a aplicações que seguram melhor a bronca da inflação (fundos com taxas de administração baixas, CDBs que dão 100% do CDI…, depois falamos mais sobre isso). O ponto é que o pessoal dos andares de baixo é quem perde mais.

Isso deixa claro qual é o grande mal da inflação: ela aumenta a desigualdade. Não tem jeito. E esse tipo de cenário sempre foi o mais propício para revoltas. Revoltas que começam com aquela gota a mais que faz o barril transbordar. Os centavos a mais no ônibus foram essa gota.

Nota Menina Veneno Sabor Tequila: Muitos estão dizendo “Tudo isso por causa de vinte centavos” , não é por causa de vinte centavos, é por causa do direito constitucional, se você não tem coragem de dar sua cara a tapa para o manifesto e só critica quem esta levando caceta e borrachada pra defender o que seu direito também, cale-se, por favor precisamos de pessoas de fibra pra mudar esse país e não de “Zés ninguém”  deixam-se cegar pelas informações que a TV transmite, bombas, fogo, quebra-quebra e gritaria, em quantos canais você viu ou soube do lado do manifestante, alguém que tomo a frente da força e que enyendeu que o abuso só cresce e nossos direitos cada vez mais castrados? Pois é, dá mais audiência e é mais fácil domesticar mostrando que tudo isso é só por causa de R$0,20.
ACORDA POR QUE ESSA LUTA TAMBÉM É POR VOCÊ.